MORCEGOS, TUDO DE BOM. PRAZER EM CONHEÇE-LOS!!

Biól. Drª. Susi Missel Pacheco, especialista em quirópteros do Instituto Sauver.
Reino ANIMALIA
Filo CHORDATA
Subfilo VERTEBRATA
Classe MAMMALIA
Ordem CHIROPTERA

A palavra Chiroptera é proveniente do grego e significa KEIRO = MÃO; PTERÓN = ASAS Animais cuja mão está transformada em asa (fig. 1).

ciencia hoje - braço de morcego-homem

 

Figura 1. Membro anterior do homem e do morcego. Mostra a transformação do braço e mão em asa. Fonte: Alexandre Keller, Ciência Hoje, 2006. 

Quem são?

Único grupo de mamíferos com voo verdadeiro (fig. 2). Outros mamíferos como Dermoptera (colugo ou lêmure voador), Rodentia (esquilo voador) ou marsupial pigmeu (Marsupialia) apenas planam. Estas espécies planam ou pulam por alguns metros e são tipicamente de florestas. 

 

thumb Colugo esquilo voador e morcego   Acrobates pygmaeus planando e pulando- nectarivoro   Arcano Nelson Gomes

A                                                                                  B

Figura 2. A. Acima à direita Glossophaga soricina (Chiroptera). Fonte: Rejane C. Dominguez; abaixo à esquerda, Colugo ou lêmure voador, Cynocephalus volans (Dermoptera). Fonte: www.flickr.com; Esquilo voador, Pteromys momonga (Rodentia). Fonte: www.saveourlog.org./fr/encyclopedia/species/1870. B. Acrobates pygmaeus (Marsupialia). Fonte: Arcano N. Gomes 

 

Quando surgiram?

 
Paleoceno Superior/Eoceno Médio entre 55 e 40 milhões de anos. As espécies mais antigas são Icaronycteris index (fig. 3A), cujos fragmentos foram encontrados em rochas no Wyomming, EUA. As espécies Archaeonycteris trigonodon (fig. 3B), Hassianycteris messelensis (fig. 3C) e Palaeochiropteryx tupaiodon (fig. 3D) cujos fragmentos estavam nos depósitos fossilíferos de Messel, na Alemanha. 

 

Morcegos fósseis

 Figura 3. Acima à esquerdaIcaronycteris index; acima à direita, Archaeonycteris trigonodon; abaixo à esquerda, Hassianycteris messelensis; abaixo à direita, Palaeochiropteryx tupaiodon. Fonte: www.thefossilforum.com

 No Brasil o registro fóssil mais antigo é Mormopterus faustoi (Molossidae) (fig. 4). Segundo Paula-Couto (1956), o fragmento foi encontrado na Bacia de Taubaté, formação Tremembé, Oligoceno Superior datado entre 28 e 24 milhões de anos. Outro morcego fóssil brasileiro é Desmodus draculae, o morcego vampiro gigante do Pleistoceno Superior.

 

Mormopterus faustoi - CH

Figura 4. Mormopterus faustoi comparado a um molossídeo recente. Foto: Leonardo S. Avilla.

 

Quantas espécies existem?

Há um número superior a 1.200 espécies de morcegos no Planeta e 18 famílias, que sofrem algum grau de impacto ambiental, climático ou humano, a saber: PTEROPODIDAE, RHINOLOPHYDAE, HIPPOSIDERIDAE, MEGADERMATIDAE, RHINOPOMATIDAE, CRASEONYCTERIDAE, NYCTERIDAE, MYZOPODIDAE (com ventosas), MYSTACINIDAE, EMBALLONURIDAE*, PHYLLOSTOMIDAE*, MORMOOPIDAE*, THYROPTERIDAE* (com ventosas), NATALIDAE*, NOCTILIONIDAE*, FURIPTERIDAE*, MOLOSSIDAE*, VESPERTILIONIDAE* (fig. 5) (As famílias com * ocorrem no Brasil).

todos os morcegos do mundo

Figura 5.  Representantes das famílias de quirópteros no mundo: Acima da esquerda para direita: Pteropodidae (imagem grande), Craseonycteridae, Emballonuridae, Furipteridae, Hipposideridae; Phyllostomidae (Desmondontinae, imagem grande); no Centro da esquerda para a direita: Megadermatidae, Molossidae, Mormoopidae, Mystacinidae, colônia de Molossidae (imagem central maior),  Myzopodidae, Natalidae, Noctilionidae, Nycteridae; Abaixo da esquerda para direita: Molossidae (imagem maior), Phyllostomidae, Rhinolophydae, Rhinopomatidae, Thyropteridae, e Vespertilionidae (imagem maior à direita). Fotos: Banco de Imagens BCI, Tahara, S.,  Pacheco,S.M. 

Os morcegos muito grandes, denominados raposas voadoras pertencem à família Pteropodidae, com cerca de 42 gêneros e 150 espécies.As maiores espécies são Pteropus giganteus e Pteropus vampyrum (raposas voadoras); atinge entre 1,50 a 1,90 m de envergadura de asas, pesam 1,5 kg em média e têm aproximadamente 40 cm de comprimento cabeça-corpo (fig. 6).

 

Pteropus giganteus e P vampyrus

  Figura 6.  Representantes da família Pteropodidae. A. Pteropus giganteus; B. Pteropus vampyrus. No encarte ao lado P. giganteus voando Fotos: Banco de Imagens de H. Lasek (www.hlasek.com) e Bigstock. 

 Um número superior a 960 espécies de morcegos são de pequeno e médio porte, distribuídas em 17 famílias, frequentemente, com cerca de 30-40 cm de asas abertas. A distribuição de suas populações é cosmopolita. Se há a maior espécie também existe a menor, Craseonycteris tonglongyai, que tem massa corporal de 1,5 a 2,0 g e comprimento cabeça-corpo de 3,0 cm.

craseo nicteris britannica composiçao

 

Figura 7.  Representante da família  Craseonycteridae - morcego com nariz de porco. O menor morcego vivente. Fonte: Daniel Hargreaves (http://www.britannica.com/blogs/2011/10/flight-bumblebee-bat/).

No Brasil, há nove famílias (fig. 8) e aproximadamente 170 espécies distribuídas em todos os biomas, onde a Amazônia apresenta o maior número de espécies cerca de 164 e o bioma Pampa ou Campos Sulinos o menor, em torno de 20 (Fig.9).

MORCEGOS BRASILEIROS

 Figura 8.  Representantes das nove famílias com ocorrência no Brasil: Natalidae (Natalus stramineus); Mormoopidae (Pteronotus parnelli);  Furipteridae (Furipterus horrens); Thyropteridae (Thyroptera tricolor); Emballonuridae (Saccopteryx bilineata); Phyllostomidae (Artibeus lituratus); Noctilionidae (Noctilio albiventris); Vespertilionidae (Myotis levis); Molossidae (Tadarida brasiliensis). Fontes: Setsuo Tahara; Roberto Lenoan Novaes; Richard K. Laval; Fernando Carvalho, Susi Pacheco.

percentagens bioma morcegos

Figura 9.  Percentual aproximado de espécies de morcegos ocorrentes nos diferentes biomas brasileiros. Dados retirados  do livro Morcegos do Brasil de Reis et al. 2008. 

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Maria Inês Bello 

As espécies de roedores que encontramos nas cidades pertencem à Família Muridae e Subfamília Murinae e na qual destacam-se:

  • Rattus rattus -  rato-do-telhado;
  • Rattus norvergicus – ratazana;
  • Mus musculus – camundongo;

São animais sinantrópicos dependem das atividades humanas e do estilo de vida urbano para o fornecimento de abrigo e alimento. Apresentam alta capacidade reprodutiva e de dispersão, acentuadas pela falta de predadores naturais. São animais de hábitos noturnos, alimentação variada, principalmente, cereais, carnes e frutas e constroem seus abrigos, sempre, próximos da fonte de alimento. As três espécies de roedores urbanos convivem de forma harmônica, já que não disputam diretamente os mesmos espaços urbanos (vide desenho). O rato do telhado constrói ninhos em ambientes edificados, em geral, telhados e sótãos, com maior incidência em áreas portuárias. A ratazana é fossorial, constrói tocas, e prefere ambientes próximos a coleções hídricas como arroios, córregos e rios. Sua maior ocorrência está ligada ao uso inadequado do solo urbano e a falta de programas de destinação de resíduos sólidos. O camundongo prefere ambientes domiciliares e constrói ninhos em locais com pouca movimentação.

A ratazana está envolvida no ciclo de transmissão da Leptospirose, principalmente, nos períodos de  chuvas intensas, quando a população se expõe a alagamentos ou enchentes. Nestas situações, as cidades demonstram toda a vulnerabilidade causada por processos históricos de falta de planejamento urbano e ambiental.

Prevenir deve ser prioritário para os moradores das cidades, organizando o espaço domiciliar, evitando acúmulo de resíduos orgânicos e entulhos e, na ocorrência de roedores, buscar orientações com profissionais especializados, para evitar o uso inadequado de raticida, colocando em risco a saúde da família e animais domésticos.

 

roedores_sinantrpicos_-comlurb

 

Fonte: Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (www.comurb.rio.gov.br).